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sexta-feira, 5 de abril de 2013

DICAS E ESTRATÉGIAS PARA A SALA DE AULA

 Segundo Sandra Rief (2001), especialista em Educação Especial e Recursos de Aprendizagem, algumas condições pré-existentes podem desencadear problemas para portadores de TDAH na sala de aula, estas condições podem ser:
            Físicas: fatores internos como fadiga, fome, desconforto físico etc.
            Meio ambiente: barulho, posição da carteira, localização da sala, etc.
            Atividade ou evento específico: alguma coisa frustrante, tediosa, inesperada, superestimulante.
            Tempo específico: hora do dia, dia da semana.
            Demonstração de habilidade ou necessidade de atuação: no comportamento nas relações sociais na produção acadêmica (expectativa de fazer algo difícil, desagradável ou que provoque ansiedade).
            Outras: interação negativa com alguém ser alvo de brincadeiras ou provocações etc.
            Com o objetivo de prevenir problemas na sala de aula, o professor deve procurar alterar essas condições pré-existentes. Algumas sugestões:
  • criar um ambiente “seguro”, reduzindo o medo e o stress.
  • Aumentar a estrutura.
  • Estabelecer uma rotina previsível (são difíceis de se adaptarem a novas situações).
  • Ajustar os fatores ambientais (temperatura, iluminação, móveis, estímulos visuais etc.).
  • As regras, limites e procedimentos a serem seguidos devem ser claramente definidos, ensinados e praticados.
  • O ensino do sucesso de todos.
  • Estrutura as lições de modo a permitir participação ativa e resposta interessada.
  • Proporcionar mais escolhas e opção a fim de provocar interesse e motivação.
  • Proporcionar mais tempo e mais espaço; se necessário, mudar o tempo e o espaço.
  • Proporcionar ritmo adequado.
  • A supervisão deve ser mais freqüente.
  • Aumentar as oportunidades de movimentação física.
  • Ensinar estratégias de auto-controle (relaxamento, visualização, respiração profunda, resolução de problemas, auto-monitoramento).
  • Utilizar as estratégias de “cantinho para pensar”, “tempo para se acalmar”, “pausa para descanso”, como medida preventiva.
  • Utilizar tática de redirecionamento e preparar para as transições.
  • Trabalhar as dificuldades acadêmicas, sociais e comportamentais.
  • Proporcionar acomodações e adaptações segundo a necessidade.
  • Proporcionar maior encorajamento e retorno positivo.
  • Aumentar o número de dicas e incentivos, especialmente os “toques” visuais e sinais não verbais.
Usar voz calma, bem como uma tranqüila linguagem corporal - requisitar, redirecionar e corrigir de maneira eficiente e respeitosa.
PERFIL ACADÊMICO COMUM
  Leitura:

  • Fluência média, identificação das palavras;
  • Compreensão desigual;
  • Perde-se na leitura freqüentemente;
  • Precisa ler oralmente, não consegue ler silenciosamente;
  • Esquece o que lê;
  • Tem baixo desempenho em trechos longos;
  • Desempenho médio em trechos curtos;
  • Evita ler.
  Linguagem escrita:    
  • Idéias criativas;
  • Problemas de planejamento e organização;
  • Não consegue começar;
  • Caligrafia imatura;
  • Fraco em ortografia;
  • Velocidade lenta;
  • Produção mínima.
  • Mecânica fraca (letra maiúscula/pontuação).
  Matemática:  
  • Altamente inconsistente;
  • Erros por desatenção;
  • Conceitos matemáticos médio/forte;
  • Execução lenta com lápis/papel;
  • Lembrança fraca de fatos.
  • Alinhamento numérico fraco.  
Habilidades de estudo/organizado:  
  • Perde coisas freqüentemente;
  • Fraco em anotações;
  • Esquece matérias e tarefas;
  • Fraco em priorizações e planejamentos;
  • Má administração de tempo;
  • Tarefas incompletas.
  • Precisa de esclarecimentos e lembretes freqüentes.  
TALVEZ NÓS PRECISAMOS MODIFICAR  
  • Materiais;
  • Métodos;
  • Ritmo;
  • Ambiente;
  • Tarefas;
  • Exigências de tarefas;
  • Notas;
  • Testes / Avaliação;
  • Feedback;
  • Reforço;
  • Entrada de idéias / Rendimento;
  • Nível de suporte;
  • Grau de participação;
  • Tempo distribuído;
  • Tamanho / Quantidade.  
SETE ELEMENTOS CHAVE PARA O SUCESSO  
1º Conseguindo e mantendo atenção:  
  • Uso de novidades e objetos;
  • Técnicas eficazes de questionamento;
  • Uso de organizadores gráficos;
  • Sinais auditivos;
  • Uso de retro-projetores (para uma melhor visualização);
  • Respostas escritas associadas com atividades auditivas.  
2º Administração na sala de aula:
  • Clareza na comunicação e expectativas;
  • Uso de monitores;
  • Regras e conseqüências expostas;
  • Uso de controle por proximidade;
  • Alunos repetem instruções;
  • Sinais, elogios e reforço para períodos de transição;
  • Revisão de regras e auto-monitor em situação de grupo.  
3º Aprendizado participativo e oportunidades de respostas:  
  • Aprendizado cooperativo:
- uso de parceiros;
- membros do grupo tem papéis determinados;
- responsabilidade e auto monitoria.
  • Resposta em grupo (quadro de giz).  
4º Organização e habilidades de estudo:  
  • Uso de programas e expectativas da escola;
  • Uso de cadernos e calendários de tarefa;
  • Tarefas esclarecidas e expostas;
  • Sistema de estudo entre parceiros (por tutor).  
5º Instrução multisensorial e acomodação para estilos de aprendizado:
  • Uso de melodia e ritmo;
  • Apresente instrução visualmente / auditivamente;
  • Fazer uso de computadores;
  • Ambiente físico adequado ao trabalho dos alunos;
  • Ofereça escolhas de onde trabalhar;
  • Áreas privativas e escritórios para estudo;
  • Áreas de sala formal / informal;
  • Uso de fones ante-ruídos e outros artifícios como, por exemplo, luz local e não luz difusa;
  • Intervalo para alongamento e exercícios.  
6º Modificação na produção escrita:
  • Testes orais e transcrição escrita;
  • Rubricar trabalhos / tarefas menores;
  • Habilidades de processador de textos e digitação;
  • Uso de opções de papel (ex.: computador ou folha milimetradas).  
7º Práticas de colaboração
  • Equipes de estudo (equipes de consulta);
  • Ênfase em parcerias com os pais;
  • Ensinar em equipe para facilitar a instrução e a disciplina;
  • Uso de monitores de idades diferentes;
  • Necessidade de tempo para planejamento e apoio administrativo.  
O QUE MANTER EM MENTE COM ALUNOS QUE SÃO UM DESAFIO  
  • Planeje uma resposta e evite “reagir”;
  • Elogie, encoraje gratifique o desenvolvimento da melhora;
  • Mude o que você pode controlar... Você mesmo (atitude, linguagem do corpo, voz, estratégia / técnicas, expectativas, foco);
  • Seja firme, justo e estável;
  • Permaneça calmo;
  • Evite bater de frente (medir forças).
ESTRATÉGIAS PARA ATRAIR A ATENÇÃO E PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS
  • faça uma pergunta interessante e especulativa, mostre uma figura, conte uma pequena estória ou leia um poema relacionado para gerar discussão e interesse para a próxima lição.
  • Tente um pouco de brincadeira ou tolice, drama (use objetos e estórias) para conseguir a atenção e estimular interesse.
  • Mistério. Traga um objeto relevante a lição em uma caixa, sacola ou fronha. Isto é uma maneira excelente de gerar especulação e pode levar a criança a ótimas discussões e atividades escritas.
  • Mostre animação e entusiasmo sobre a próxima lição.
  • Diminua o tempo que o professor fala. Faça o máximo de esforço para aumentar mais as respostas dos alunos (dizendo ou fazendo alguma coisa com a informação que está sendo ensinada).
  • O uso de parceiros (duplas) é talvez o método mais eficaz de maximizar o envolvimento do aluno. O formato, de parceiros assegura que todos estejam envolvidos ativamente não apenas alguns. “Vire-se para seu vizinho/parceiro e...” Os formatos de parceiros são ideais, para previsão, compartilhar idéias, esclarecer instrução, resumir informações / treinar / praticar (vocabulários, ortografia, operações matemáticas), compartilhar atividades escritas. Exemplos: “Junte-se a seu colega e dividam suas idéias sobre...”. Depois de dar um tempo para as duplas responderem, peça voluntários para compartilhar com a turma toda. “Quem gostaria partilhar o que você e seu parceiro pensam sobre...”
  • Formule as lições usando um ritmo animado e uma variedade de técnicas de questionamento que envolvam a classe toda, parceiros e respostas individuais.
  • Antes de pedir uma resposta oral, faça uma pergunta e peça que os alunos anotem primeiro o que eles acharem que seja correto. Depois peça que voluntários respondem oralmente.
  • Permita que os alunos usem quadro brancos individuais durante a lição, é motivador e ajuda a manter a atenção. Se usado corretamente, é também eficaz para checar a compreensão dos alunos e determinar quem precisa de reforço.
  • Varie a maneira que você chama o aluno. Por exemplo, “Todos que estão usando brinco, levantem-se esta pergunta é para vocês”. (Alunos deste grupo podem responder ou ter a opção de passar.
  • Utilize cartões de resposta já preparados para os alunos praticar áreas de conteúdo com uma ferramenta de uso individual. Estes cartões podem ser subdivididos em aproximadamente 3-5 categorias, com respostas escritas naquelas seções (ponto final, interrogação, exclamação). Quando o professor faz a pergunta (lê uma frase), o aluno coloca um pregador de roupa na resposta correta (neste exemplo qual a pontuação é necessária na fase lida); leques de respostas são outra opção (um leque é feito com vários cartões de resposta com um furo e segurado por uma argola).
Quando feito uma pergunta os alunos escolhem o cartão que melhor responde a pergunta.
  • Faça uso freqüente de respostas em grupo ou ao mesmo tempo quando há uma única resposta curta. Quando estiver explicando, pare com freqüência e peça aos alunos para voltar atrás e repetir uma ou duas palavras.
  • Use folhas de resumo que são resumos parciais enquanto você explica a lição ou dá uma palestra, os alunos preenchem as palavras que estão faltando baseado em o que você está dizendo ou escrevendo no quadro.
  • Uma técnica de instruções direta e outros métodos de questionamento que permitam oportunidade de grande participação (E.: respostas em unissario, resposta em dupla).
  • Use a estrutura apropriada para cooperação em grupos de aprendizagem (ex.: designação  de papéis, tempo limitado, responsabilidade). Não é apenas trabalho em grupo, alunos com TDAH (e muitos outros) não funcionam bem sem as estruturas e expectativas claramente definidas.
  • Sinalize alunos através da audição: toque de campainha ou sino, bata palmas, toque um acorde de piano / violão, use um sinal verbal.
  • Use sinais visuais: pisque as luzes, levante as mãos indicando que os alunos levantem as mãos e fechem a boca até que todos estiverem quietos e atentos.
  • Sinalize claramente: “todo mundo”... Pronto...”
  • Cor é muito efetivo para chamar atenção. Use pincéis coloridos no quadro branco e para transparência no retro-projetor.
  • Contato com os olhos. Os alunos devem estar virados para você quando você está falando, especialmente quando instruções estão sendo dadas. Se os alunos estiverem sentados em grupos, peça aqueles que não estão diretamente voltados para você que virem suas cadeiras e corpos quando sinalizados a fazer isso projete sua voz e certifique-se estar sendo ouvida claramente por todos. Esteja consciente de outros barulhos na sala de aula como ar condicionado e aquecedores barulhentos.
  • Chame o aluno para perto de você para explicação direta.
  • Posicione todos os alunos para que possam ver o quadro. Sempre permita que os alunos reposicionem suas carteiras e  suas carteiras e sinalizem para você se a visão estiver bloqueada.
  • Use recursos visuais. Escreva palavras chave ou figuras no quadro enquanto estiver explicando. Use figuras, diagramas, gestos, demonstrações e materiais de alto interesse.
  • Ilustre, ilustre, ilustre: não importa se você não desenha bem durante suas explicações. Dê a você mesmo e aos alunos permissão e encorajamento para desenhar, mesmo que não tenha talento. Desenhos não precisam ser sofisticados e exatos. Aliás, geralmente quanto mais tolo melhor.
  • Aponte para o material escrito que você quer enfocar com um apontador ou laser. Nota: retro projetores estão entre as melhores ferramentas para prender a atenção na sala de aula. No retro projetor o professor pode modelar facilmente e destacar informações importantes. Transparências podem ser preparadas com antecedência, poupando tempo. As transparências podem ser parcialmente cobertas, bloqueando qualquer estímulo visual que possa distrair.
  • Bloqueie material. Cubra ou retire do campo visual aquilo que você não quer que os alunos foquem, removendo as distrações do quadro ou tela.
  • Ande pela sala – mantendo sua visibilidade.
  • Esteja bem preparado e evite atrasos nas explicações.
  • Ensine tematicamente quando possível – permitindo integração de idéias / conceitos e conexões.
  • Use técnica de nível mais elevado para perguntas. Faça perguntas abertas, que requerem raciocínio e estimulam pensamentos abertos, que requerem raciocínio e estimulam pensamentos críticos e discussão.
  • Use programas de computador motivadores para construção de habilidades específicas e para fixação (programas que fornecem feedback e auto-correção).
ESTRATÉGIAS E SUPORTES PARA LIDAR COM PROBLEMAS SOCIAIS E EMOCIONAIS  
  • Tente variar a organização de assentos para proporcionar uma situação em que o aluno sinta-se confortável.
  • Dê ao aluno responsabilidade na sala de aula / escola.
  • Reduza o número de tarefa ou modifique para possibilitar um maior índice de sucesso nos alunos.
  • Tente identificar o que está causando estresse e frustração ao aluno.
  • Reduza tarefas com papel / lápis e permita outros meios de produção.
  • Amplie o tempo para completar a tarefa.
  • Use instruções curtas acompanhadas por demonstração ou exemplo visual.
  • Use um cronômetro para determinar o tempo a ser gasto em uma tarefa específica.
  • Forneça atividades que o aluno possa ter sucesso (academicamente e socialmente).
  • Envolva os alunos em atividades de monitoria com crianças menores.
  • Arranje mensagens para o aluno levar outras salas de aula ou para secretarias.
  • Descubra o interesse dos alunos e proporcione atividades que correspondam a esses interesses.
  • Tendem envolver os alunos em atividades extracurriculares.
  • Chame atenção para as potencialidades dos alunos e demonstre os talentos dele /dela, suas ilhas de competência.
  • Dê responsabilidades ao aluno de ser um assistente do professor, monitor, modelo, líder do grupo, etc.
  • Converse com professores, funcionários de apoio, orientadores, assistente sociais sobre esta criança.
  • Aumente a comunicação com os pais.
  • Aumente as oportunidades de encontrar com o aluno individualmente e estabelecer um relacionamento de apoio.
  • Dê a esta criança um monitor que possa lhe dar suporte e ser tolerante.
  • Ensine habilidades sociais apropriadas, estratégias de lidar com situações e resolver problemas.
  • Ensine habilidades sociais apropriadas, estratégias de lidar com situações.
  • Forme pares de alunos com monitores de séries mais avançadas ou um amigo especial, entre a equipe.
  • Aumente significativamente as interações positivas, freqüência de elogios e feedback.  
ENCORAJAMENTO E APRECIAÇÃO
  • Eu aprecio o esforço que você usou nesta tarefa.
  • Continue pensando nessas boas idéias.
  • Esse B+ reflete seu esforço. Você deve estar orgulhoso de si mesmo.
  • Marcos, eu percebi que você estava bem preparado para a aula de hoje. Realmente ajudou você ter arrumado sua carteira e em ordem o seu caderno.
  • Eu gosto da maneira que você lidou com aquele problema.
  • Você deve sentir-se bem em ver o progresso que você está fazendo. Seu esforço está sendo compensado.
  • É isso mesmo... continue praticando e logo você saberá tudo.
  • Aposto que você se dedicou muito nesta questão.
  • Eu percebi que os alunos da mesa 2 realmente se ajudaram e trabalharam como equipe. Meus parabéns.
  • Leane, você seguiu as instruções rapidamente. Eu aprecio sua cooperação.
  • Eu percebi que você realmente se dedicou a melhorar sua caligrafia. Posso ver uma melhora na sua letra.
  • Eu agradeço a maneira que você ajudou a Mariana com o que ela perdeu ontem por ter faltado a aula. Você realmente é um companheiro responsável.
  • Olha que melhora ! realmente mostra que você se dedicou com tempo e esforço.
  • Eu estou confiante que você fará uma boa escolha.
  • Você consegue fazer isto !
  • Você está  ficando melhor em...
  • Essa é difícil. Mas eu tenho certeza que você pode entender.
  • João, você está mostrando um grande auto-controle esta manhã. Você se lembrou de levantar a mão quando quer falar e está respeitando o espaço dos outros alunos.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Tecendo sobre a Importância de se conhecer,entender e perceber os Distúrbios de Aprendizagem!!!!

Os Distúrbios de Aprendizagem carecem de um melhor aprofundamento, pois acontecem todos os dias com nossos alunos, sem que tenhamos despertado nossa sensibilidade para um olhar mais técnico que  nos permita compreender de que forma eles impactam no resultado final do trabalho pedagógico.
Saber o que é uma Dislexia, como ela se manifesta e quais estratégias explorar, se torna imperativo para quem trabalha com Educação. A ausência dessa compreensão pode nos levar a conclusões equivocadas e precipitadas sobre o assunto.
Entender o que é Dislalia, e suas implicações na compreensão da linguagem no processo da comunicação é algo extremamente relevante no cenário de educação formal nas salas de aula.
Perceber que se existem alunos com dificuldades na elaboração de cálculos e no trato com os números, pode representar um problema de Discalculia que deve ser abordado com cautela e técnicas eficazes no enfrentamento do problema.
Na mesma intensidade: SINDROME DE ASPERGER, AUTISMO,TDAH, HIPERATIVIDADE, precisam ser conhecidos e desmistificados para que possam ser trabalhados de maneira efetiva.
Aos que trabalham com Educação e percebem que existe algo no processo de ensino- aprendizagem que evidencia a diferença na forma que alunos expressam o que aprendem, chamo a atenção para a palestra do Prof. Dr. Rafael da Silva, que acontecerá no dia 01 de setembro no Auditório do Senac SE.

domingo, 29 de julho de 2012

MASSACRE DE INOCENTES:Um alerta sobre os Distúrbios de Aprendizagem!!!

Confira a Entrevista que Lúcio Alves(meu esposo), concedeu a André Pestana, no portal da Infonet.  Ainda é tempo de rever algumas práticas e nos alertarmos!
 Nós, pais, familiares e profissionais que trabalhamos e vivenciamos com crianças, adolescentes, jovens e adultos, precisamos nos informar e buscar meios para identificar e intervir nos Distúrbios de Aprendizagem em prol de uma Vida e Educação de qualidade!
MASSACRE DE INOCENTES
A entrevista a seguir foi realizada com o Pedagogo Lúcio Alves. Especialista com vasta experiência em Educação formal. Ele vem se dedicando nos últimos anos ao estudo da Educação Inclusiva e da importância da andragogia para o acesso de jovens e adultos no mercado de trabalho e na análise do papel da escola na construção da relação aluno/aprendiz com a cidadania.
André Pestana Como o senhor avalia a abordagem sobre os Distúrbios de Aprendizagem nas instituições de ensino de maneira geral.
Prof. Lúcio Alves Acredito que não tem sido dada a devida importância que o assunto requer. Os Distúrbios de Aprendizagem estão presentes no dia a dia das escolas, levando muitas vezes o aluno a situações de conflitos internos e externos sem que a escola tenha direcionado seus esforços no enfrentamento do problema e dos reflexos que o mesmo traz a familia, a sociedade e ao próprio aluno.
André Pestana É correto afirmar então que todo o insucesso do aluno pode ser atribuído aos Distúrbios de Aprendizagem?
Prof. Lúcio Alves Não. Seria até mesmo possível considerarmos também DISTÚRBIOS DE ENSINAGEM. O processo educacional se desenvolve em um cenário onde participam diversos atores e sofre influência de muitos fatores. Nesse sentido, precisamos entender os Distúrbios de Aprendizagem como um desses fatores que ocorrem no cenário do processo. Nem todos os alunos aprendem no mesmo ritmo, na mesma velocidade nem da mesma forma. Para além disso, precisamos considerar também que os distúrbios de aprendizagem interferem na maneira como esses alunos assimilam ou não o contéudo apresentado. Corremos o risco de: ignorarmos sua existência e importancia ou atribuirmos todo o insucesso aos distúrbios de aprendizagem.
 André Pestana Quais os Distúrbios mais frequentes e em que porcentagem eles ocorrem na população?
Prof. Lúcio Alves Os DA’s mais frequentes segundo a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISLEXIA são:
DISLEXIA: 5% A 17% da população;
HIPERATVIDADE E DEFICIT DE ATENÇÃO: 7% dos alunos em idade escolar;
HIPERATIVIDADE: 5% das crianças
DEFICIT DE ATENÇÃO: 3 A 5% das crianças.
Esses dados estão relatados no site do jornalista Gilberto Dimenstein (http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/noticias/gd110507.htm)
Além dos descritos acima, temos também: DISORTOGRAFIA, DISCALCULIA, AUTISMO, SINDROME DE ASPERGER.
André Pestana Recentemente o Senac SE promoveu uma palestra com o Prof. Dr.  Rafael da Silva Pereira (Portugal).Qual a justificativa para esse evento?
Prof. Lúcio Alves Como uma instituição de Educação Profissional o Senac SE também está sensível ao problema, buscando informações que possam contribuir  efetivamente com a sua missão. Ultimamente temos observado muitos acidentes em setores críticos de atividade profissional e que, sem querer atribuir diretamente aos distúrbios de aprendizagem,  podemos encontrar justificativas na ocorrência dos mesmos: A enfermeira que injetou leite na veia de uma criança, dosagens erradas de medicamentos que podem provocar a morte de um paciente. Quem poderá garantir que as “garatujas” de muitos médicos não podem ser sintomas de disortografia?
Mesmo considerando as devidas ponderações não podemos perder de vista que esses problemas têm ocorrido com relativa frequencia.
André Pestana Na sua opinião como as Escolas tem tratado dessa questão?
Prof. Lúcio Alves Precisamos diferenciar alguns aspectos. O poder público não tem dado a atenção que o caso requer. Existe hoje uma imensidão de profissionais formados em psicopedagogia, psicologia, medicina, dentre outras profissões que poderiam estar atuando nas escolas públicas, formando equipes multidisciplinares para cuidar da saúde dos alunos. Seja a saúde física, seja a saúde mental. Casos como o massacre do Realengo ocorrido há um ano atrás, causam um impacto momentâneo que dura apenas o tempo necessário para que se vendam jornais e revistas. Depois tudo volta ao normal. Não se busca a causa que levou àquela barbárie. Já nas escolas particulares, com raríssimas exceções,  existe um movimento que luta pela inclusão social. Mas podemos afirmar que a questão dos distúrbios de aprendizagem carece ainda de uma discussão mais permanente e efetiva que proporcione aos alunos que apresentam esses problemas o tratamento diferenciado que não permita a exclusão e marginalização do seio da sociedade.
André Pestana De que forma, os Distúrbios de Aprendizagem podem contribuir na questão da exclusão e marginalização social.
Prof. Lúcio Alves O jornalista Gilberto Dimenstein em seu site já citado nessa entrevista apresenta estudos realizados  que transcrevo a seguir: “”Pesquisas realizadas com a população carcerária de Londres divulgada no livro: The adult dyslexic The interventions & outcomes (O adulto disléxico – As intervenções e os resultados), dos autores David McLoughlin, Carol Leather e Patricia Stringer, comprova que 50% da mesma sofre de dislexia e acabam cometendo delitos por ter sua auto-estima baixa, advindo de uma sociabilidade prejudicada, expectativas frustradas e por se submeterem apenas às atividades secundárias. Seja no Brasil ou em Londres o quadro educacional parece ser o mesmo, um método de ensino que lida com todos da mesma maneira, sem fazer surgir qualidades e habilidades peculiares, principalmente dos que apresentem dificuldades específicas em determinada área do aprendizado.” (fonte: ABD)
No Brasil não há um levantamento da população carcerária como um todo, já um estudo parcial realizado pelo psiquiatra Arnaldo de Castro Palma com internos da cidade de Curitiba, no ano de 2003, mostra as seguintes condições: “Quanto a escolaridade, mais de 80% são analfabetos ou analfabetos funcionais. O conjunto daqueles que conseguiram concluir o Ensino Fundamental não atinge 10% do total de entrevistados.O grau de instrução da população carcerária é seriamente comprometido pelo alto índice de portadores de transtornos cognitivos, que reduz a capacidade de assimilar e adquirir informações, armazená-las, combiná-las, classificá-las e utiliza-las oportunamente. Numa estimativa em que se leva em consideração o histórico pessoal, é possível concluir que, a maioria absoluta dos entrevistados, foi afetada desde a infância por distúrbios da atenção e da aprendizagem. É provável que exista influência desses fatores psico-pedagógicos na conduta criminosa, especialmente entre os reincidentes e violentos. O dado numérico salta aos olhos: mais de dois terços dos entrevistados têm manifestações clínicas que indicam distúrbio de atenção.” Veja o estudo na íntegra
Penso que sequer estamos arranhando o verniz do problema, e necessitamos urgente pensar no impacto que os DA”s causam nas famílias, nas escolas e  no desenvolvimento intelectual do nosso país.
Muitos pais e professores, por desconhecerem o problema tratam seus filhos e alunos como se fossem burros, incompetentes, preguiçosos, quando na verdade eles podem estar sendo vítimas. A auto estima é destruída e empurra uma verdadeira multidão de crianças, jovens e adolescentes para a marginalidade.
Nas palavras do Dimenstein um verdadeiro “Massacre de  Inocentes” está sendo perpetrado sem que a sociedade escute o seu grito abafado pedindo o nosso socorro e atenção.
André Pestana Que sugestões você daria para que os Distúrbios de Aprendizagem fossem tratados de maneira mas adequada?
Prof. Lúcio Alves Acredito que a disseminação de informações ao maior número de pessoas possível contribuiria de maneira eficaz. Pais, professores, meios de comunicação de massa, precisam conhecer para poder ajudar seus filhos e alunos a superarem esse desafio. Por outro lado, a abertura de concursos públicos que pudesse aproveitar o grande contingente de psicólogos, pedagogos, psicopedagogos, médicos, terapeutas educacionais, assistentes sociais dentre outros profissionais para atender a essa demanda que já é significativa no cenário educacional do país.
O desafio é grande, porém necessário. Não podemos continuar fazendo de conta que o problema não existe. Escolas públicas e particulares precisam acordar de sua inércia e assumir a tarefa  que a sociedade espera e necessita. Nossas crianças, nossos jovens, nossos  adultos, enfim, nosso Brasil saberá reconhecer e agradecer por tão nobre gesto.
Contatos:
André Pestana: Jornalista,Professor, Consultor em Marketing Educacional.                             http://www.facebook.com/andre.pestana.18
Lúcio Alves: Pedagogo e Gerente de Núcleo Relações com Mercado do Senac/SE
O que fazer?
Como ajudar?
Como identificar os infinitos casos?
Como intermediar?
Tem solução?
É preciso estudo, análise, precauções e atitudes!!!!
Dia 01 de setembro, no Auditório do Senac SE, acontecerá uma Palestra com o DR.Rafael Pereira, desmistificando e fazendo um alerta sobre os Distúrbios de Aprendizagem, seus sintomas e intervenções!!!!Não percam....
Contato: luminarse@hotmail.com